quarta-feira, 9 de abril de 2008

Desejos de Grávida


Um dos negócios que mais me surpreende, relativamente ao sexo, é o das linhas eróticas.
Chamem-me incrédulo, mas para me porem em ponto de rebuçado, preciso de ver qualquer coisa…
Isto de me estarem a segredar ao ouvido ordinarices até pode ser engraçado se a autora dos impropérios estiver sentada ao meu lado, de preferência com uma mini-saia vestida (ou despida, tanto faz…).
Agora ao telefone, fico sem saber se os meus estímulos são justificados ou não! Sei lá quem é que está do outro lado a preencher as minhas fantasias… Até pode ser uma velha desdentada com um bigode de fazer inveja ao Jorge Gonçalves, ex-presidente do Sporting, famoso pelo seu farto apêndice para pendurar balões…
Mas reconheço que nesta matéria estou em minoria.
As linhas eróticas proliferam por todo o mundo, constituindo um negócio de milhões de euros, que paga sem dificuldades anúncios na televisão de vários minutos, que só não são no horário nobre porque a maioria das legislações não o permite.
Homens de todas as nacionalidades e credos gastam fortunas em chamadas eróticas de valor acrescentado em busca de alguma companhia estimulante para os seus prazeres privados e onanísticos.
E como, apesar dos novos telemóveis já incluírem o processamento de imagem, a maioria dessas linhas ainda não aderiu à tecnologia de terceira geração, o serviço erótico telefónico está ao alcance de qualquer mulher de voz doce e melodiosa, independentemente da idade, aspecto físico, higiene pessoal ou estado de saúde.
Não é preciso gastar dinheiro em operações plásticas, roupas provocantes ou sapatos de salto alto. Na verdade o investimento é mínimo e ao alcance de qualquer bolsa, mesmo das menos endinheiradas… basta possuir um telefone (objecto corriqueiro nas casas modernas) e estar disposta a permanecer até altas horas da noite a usá-lo (prática na qual as mulheres são exímias mestres).
E sem quaisquer riscos de contrair doenças sexualmente transmissíveis.
Com postulados tão simples e atractivos não admira que o negócio floresça.
Aliás qualquer homem de voz fininha pode experimentar, com sucesso, este part-time, que lhe permitiria, no conforto do seu sofá e enquanto vê a bola, angariar mais uns cobres para as despesas mensais e ainda ganhar umas histórias para contar aos amigos em dia de festa.
(O pior é se forem os amigos a ligar-lhe…).
À mulher mais atarefada com os afazeres domésticos bastará arranjar um daqueles dispositivos mãos-livres à venda em qualquer grande superfície comercial, para poder complementar substancialmente os seus rendimentos, trabalhando em casa enquanto faz o jantar, limpa o pó ou arruma os quartos.
Um achado, este negócio das linhas eróticas.
Eu já sabia que os homens se satisfaziam com pouco no que ao sexo respeita, bastando uma mulher segredar-lhe ao ouvido meia dúzia de palavrões, para lhes realizar uma fantasia sexual.
O que eu não sabia é que este achado também funcionava com as mulheres…
É verdade que há linhas eróticas para elas, geralmente anunciadas com homens musculosos e de tanga nas páginas cor-de-rosa dos jornais.
Porém sempre pensei que tais linhas se dirigissem sobretudo ao público homossexual masculino e que motivassem pouco mais do que indiferença às mulheres.
Parece, afinal, que não há nada como experimentar…
No Estado norte-americano da Pensilvânia funcionou durante anos a fio uma linha SOS Grávida, supostamente para aconselhar as pré-parturientes quanto à opção de abortarem bem como sobre os cuidados a seguir durante a gravidez.
Sucede que esse número, ao invés de dar conselhos pré-natais, estava redireccionado para uma linha erótica feminina…
Em vez de uma enfermeira de voz grossa e autoritária, as grávidas carregadas de dúvidas ouviam um homem sedutor que as convidava a passar um bom momento na sua companhia mediante a módica quantia de 3 dólares por minuto!
Foi um sucesso!
Em vez de desligarem, as grávidas ficavam eternidades ao telefone com o simpático operador especialista que, provavelmente atento às características específicas das suas ouvintes, as deliciava com palavreado erótico pré-natal de índole requintada e sensual.
Uma vez descoberto o esquema indagaram o responsável estadual da saúde sobre o sucedido. Inquirido sobre as razões porque tal foi possível, deu uma resposta que não podia ser mais elucidativa:
-“Nós não sabíamos… Ninguém nos telefonou a apresentar queixa”!
Passaram-se seis anos até que alguém denunciasse o caso às autoridades! (presumo que alguma empresa rival, protestando contra a concorrência desleal, para grande tristeza das grávidas da Pensilvânia e arredores).
Já tive ocasião de me pronunciar sobre um fenómeno a que, muito adequadamente, denominei “hormonas em sobressalto” das grávidas.
Fica aqui a prova provada de que tinha razão!
Chamo a atenção das ginecologistas de todo o mundo para a necessidade de alertarem as suas pacientes para esta nova e revolucionária descoberta científica relativa ao período expectante da mulher.
Entre outros desejos mais convencionais (tais como comer bolas de Berlim com creme acompanhadas de pezinhos de coentrada à alentejana) a mulher grávida pode sentir um desejo incontrolável de ligar para uma linha erótica, sobretudo se o marido for daqueles que fica todo enxofrado com a proeminente barriga da pré-puérpera.
Resta saber se são só as grávidas…

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