quarta-feira, 9 de abril de 2008

As Mulheres São Todas Lésbicas?


“The L Word”, em português denominada “A Letra L” é uma desconcertante série norte-americana dedicada aos amores de uma comunidade lésbica de Los Angeles.
Para mim porém, o seu carácter desconcertante não deriva tanto da ousadia erótica das cenas, nem tão pouco do sucesso surpreendente que conseguiu alcançar, mas sim do facto de serem as mulheres e não os homens, os seus principais consumidores.
Afinal de contas amores lésbicos preenchem as fantasias sexuais dos homens e não das mulheres, pelo que deveriam ser eles e não elas, a entusiasmarem-se com estas aventuras sáficas na Califórnia.
Mas não é assim. Os homens reagem à série com alguma indiferença, enquanto as mulheres adoram-na e comentam deliciadamente, umas com as outras, a sensualidade emanada por estas filhas da Eresos do novo mundo!
Claro que a minha libido heterossexual interrogou-se logo, em ansioso sobressalto:
Será que as mulheres são todas lésbicas?
Confrontando algumas consumidoras confessas e entusiasmadas da série com as razões da sua preferência, cheguei à não menos desconcertante conclusão que as mulheres acham os amores lésbicos estimulantes, até sob o ponto de vista estético… ao contrário da homossexualidade masculina que geralmente as repugna.
Como será esta reacção possível, em mulheres alegadamente heterossexuais exclusivas?
É verdade que a feminilidade se expressa por comportamentos muito mais carinhosos e sensíveis do que a virilidade, sendo aliás o seu défice uma das críticas mais frequentes das mulheres ao sexo masculino.
Mas daí a meterem-se na cama com outra mulher, vai um passo enorme…
Decidi investigar o tema (de forma, confesso, não totalmente desinteressada…).
Nos seus estudos pioneiros sobre a sexualidade humana Alfred Kimsey elaborou uma famosa tabela versando a orientação sexual de homens e mulheres de acordo com as suas investigações.
Da tabela de Kinsey resultam vários graus de orientação sexual. Desde a exclusividade homossexual ou heterossexual, até à indiferença sexual, passando pelos graus intermédios: ocasionais, frequentes e paritários (bissexuais).
Esta estratificação da sexualidade humana deixou um amplo campo de estudo à bissexualidade.
Afinal esta zona, aparentemente cinzenta, integraria uma fatia muito significativa dos seres humanos (a maioria aliás), que vai desde os homossexuais ocasionais aos frequentes, passando pelos bissexuais puros, aqueles que sentem igual atracção pelos dois sexos.
O amplo leque da bissexualidade de Kinsey criou a convicção, nalguns investigadores, de que seria uma fase transitória na orientação sexual humana. Uma espécie de indefinição que acabaria por se resolver com o passar dos anos… à medida que o acumular das experiências permitisse ao indivíduo uma assumpção clara da sua sexualidade.
Por outro lado, e para esses investigadores, a bissexualidade, precisamente por se tratar de uma orientação algo confusa nos seus contornos, dificultaria os relacionamentos de longa duração. A maturidade e a necessidade sentida pelo ser humano de estabilizar as suas relações afectivas, acabariam por determinar uma opção exclusiva por um dos sexos.
Curiosamente uma das conclusões de Kimsey, confirmada por vários investigadores posteriores, é a de que a bissexualidade é uma orientação maioritariamente feminina!
Os homens tendem a ser mais claros nas suas opções sexuais: ou são homossexuais ou heterossexuais. Ainda que muitos afirmassem, nas suas entrevistas, já terem tido experiências homossexuais ocasionais (por vezes já bem dentro da idade adulta), tal não parece ter sido suficiente para se assumirem como bissexuais.
Os homens tendem a escolher uma orientação sexual definida, a qual, contudo, pode esporadicamente ser “temperada” com desvios ocasionais.
O mesmo já não parece suceder com as mulheres.
Para além de um número muito significativo reconhecer estimular-se sexualmente com indivíduos dos dois sexos, há uma faixa numerosa que se assume peremptoriamente como bissexual (e não como heterossexual ou homossexual com desvios ocasionais, como sucede com os homens).
Estes dados levaram alguns cientistas a afirmar que a bissexualidade masculina é um mito, existindo esta orientação sexual exclusivamente nas mulheres.
Esta afirmação está longe de ser pacífica e parece basear-se na velha convicção de que a bissexualidade (sobretudo a feminina, precisamente por ser a mais frequente e assumida) não é mais do que uma homossexualidade reprimida.
Isto é, o individuo, confrontado com uma inclinação natural para a homossexualidade mas também com uma forte pressão social para a heterossexualidade, ficaria, durante um período mais ou menos alargado de tempo, numa espécie de limbo da orientação sexual, entre aquela que seria a sua orientação natural e a outra, incutida pela sociedade, que ele tentaria impor a si mesmo.
Procurando esclarecer esta temática, que continua envolta numa cerrada neblina apesar dos muitos estudos desenvolvidos, a investigadora norte-americana Lisa Diamond, da Universidade de Utah, levou 10 anos da sua vida a seguir o comportamento sexual de 79 mulheres do estado de Nova Iorque, declaradamente bissexuais, procurando identificar no seu comportamento indícios da eventual transicionalidade da sua orientação sexual.
As suas conclusões parecem pôr totalmente em causa as citadas teorias.
Na verdade, não só as mulheres objecto do estudo não mostraram indícios de quererem assumir uma sexualidade exclusiva com o passar dos anos, como, apesar da sua aparente indecisão quanto à preferência relativa a um dos sexos, mostraram-se mais monogâmicas nos seus relacionamentos do que as homossexuais exclusivas.
Tais observações permitiram àquela investigadora concluir, embora baseada num universo relativamente pequeno, que a bissexualidade feminina não é um estado transitório, mas antes uma orientação sexual duradoura e perfeitamente capaz de alimentar relacionamentos a longo termo, mais ainda do que a homossexualidade exclusiva.
Viver hoje com um homem e amanhã com uma mulher parece afinal ser uma situação perfeitamente normal para muitas mulheres.
Por isso, a fantasia masculina do “threesome” afigura-se também como a de muitas mulheres…
Mas a fazer fé nestes estudos, todo o cuidado é pouco se decidir passar da fantasia à realidade! É que se a sua mulher lhe toma o gosto, pode decidir mudar-se definitivamente para casa da amiga e viverem as duas “felizes para sempre”…

2 comentários:

jefferson disse...

Excelente post, confirmou oq eu sempre afirmei.

NÃO EXISTE MULHER HÉTERO!

chen zen disse...

acho q em 2020 por aí,as mulheres q gostam d homens vão estar extintas,é bom aproveitar agora.